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terça-feira, setembro 27, 2011

Simbolismos

Este texto, acabei de o publicar no meu mural do Facebook.

Há uns meses atrás, foi notícia a apresentação por um grupo de economistas, de uma queixa na PGR contra as Agências de Rating, em virtude do seu presumido envolvimento doloso na evolução das especulações dos mercados a que vinha sendo sujeita a dívida soberana de Portugal, sentimento que partilho de uma forma geral sobre todo o panorama deficitário mundial.
Com as últimas notícias sobre o défice “oculto” na Madeira, emergiu a prática habitual das pessoas mesquinhas, que sendo incapazes de assumir as suas próprias responsabilidades como actores de uma cidadania desconstrutiva, agem na mais cómoda expressão de atirar ao boneco da moda – José Sócrates.
É preciso começar por recordar que a crise financeira mundial teve origem na forma com as “Agências de Rating” avaliaram durante anos os Estados, as Instituições Financeiras, as Multinacionais, e as Grandes Empresas, até que a falência do Lehman Brothers, destapou um colossal falhanço colectivo de supervisão e quiçá de análises financeiras com reduzidos suportes de seriedade profissional. Da minha experiência bancária, posso aportar um elevado conjunto de dados que me permite fazer prova das afirmações anteriores sobre a responsabilidade principal nos diversos défices portugueses, isto é, nenhum agente financeiro aplicou recursos próprios ou alheios sem deixar de apreciar quase sempre o conselho das entidades acreditadas para avaliar riscos e venderem o resultado das suas análises sobre todas as entidades que lhes era solicitado. Num modelo de informação para apoio à decisão sobre crédito a particulares e a empresas, que contemplava no seu conjunto a segunda maior base de dados do País, e em que participei activamente no seu desenho, lá estava para todas os clientes empresa, a obrigatoriedade de préviamente às grandes decisões estar devidamente preenchido e actualizado o “campo raiting” na base da Tabela Mundial, bem como a identificação da entidade acreditada que o tinha fornecido.
Mas, a filosofia creditícia do mercado financeiro, sempre assentou numa teoria económica que não consegue produzir outro modelo que não o do constante crescimento, o que teve como consequência “necessidades” de fixação de objectivos cada vez mais ambiciosos para os montantes de crédito envolvidos na actividade corrente do tecido empresarial e no consumo das famílias. Com este modelo, percebe-se que a busca de “conforto” para a justificação de uma proposta ou uma decisão final estivesse sempre presente, mas estas condicionantes não estavam porém dissociadas dos prémios de desempenho que proporcionava o cumprimento das metas fixadas para cada órgão, na moderna chamada gestão por objectivos.
Por outro lado, em paralelo com a análise do enquadramento das grandes decisões baseada em critérios objectivos sobre a solvabilidade dos activos de cada entidade, eram exigidos pareceres técnicos sobre o impacto de cada projecto no respectivo sector de actividade económica. Por tudo isto, os chamados investimentos errados são muito fáceis de apontar no “fim do jôgo”, mas serão de montante residual os casos em que as decisões contrariaram as referências das entidades que as avalizaram técnicamente. Acredito mesmo que vão aparecer muitos “papéis” que defenderão alguns dos avultados investimentos Madeirenses e quiçá alguns deles com a chancela da UE.
Colocar hoje em causa, de forma até criminal como alguns idiotas defendem, todo o edifício em que a actividade capitalista se regulou nas últimas três décadas, nem numa visão de baixa política se pode aceitar, mas não deixa de ser preocupante que só a crise de acesso ao financiamento externo em alguns paises, tenha mitigado a promoção pública de alguns vulgares instrumentos como meio fácil de acesso ao crédito nos últimos anos, e não uma visão consciente da insustentabilidade da teoria do crescimento global, quando o território e muitos recursos são finitos e existem sinais de acentuado decréscimo populacional. Fazia bem a todos nós, mas a começar pelo Estado, com todos os Órgãos de Soberania incluídos na cabeça do exemplo, olhar à roda e interrogar, se os bens de consumo que nos cercam não são largamente suficientes para responder às exigências que se colocam no dia a dia, e se há mesmo justificação para alienar as EP que são altamente lucrativas para que com a desculpa do défice se procurem mais receitas para fazer face ao mesmo nível de despesa de funcionamento.

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