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domingo, setembro 04, 2011

O despertar da intimidade com as objectivas (III)

No calendário das imagens frugais da minha família, existe um significativo hiato entre os imagens da máquina do meu Avô AS e as poucas que bem mais tarde se seguiram captadas pelo “caixote” de certa forma ainda mais primitivo, pertencente a minha Mãe, e que também felizmente guardei comigo até a oferecer a uma das minhas filhas, e no qual uma etiqueta colada no interior ainda recomenda o uso de rolos Kodak de formato 620 para fixar imagens com uma única distância focal e as aberturas condicionadas à opção entre, a velocidade única e a “pose”, sem contador de disparos, mas com uma janelinnha redonda protegida com um vidro vermelho onde se descortinavam os números impressos no rolo de papel que protegia a emulsão fotográfica e permitia controlar simultâneamente o avanço manual do enrolamento e o número de fotogramas disponíveis. Desta máquina, apenas ficaram uns quantos incaracterísticos retratos individuais e apenas a imagem de um momento que vale a pena publicar.



Quando iniciei a pesquiza de imagens para estas notas, lembrava-me bem de um dos meus Tios Maternos usar uma daquelas máquinas paralelepipédicas com duas objectivas e amplo visor horizontal em vidro despolido, para onde se espreitava de longe com a máquina segura encostada ao peito, uma Roleiflex, e com a qual foram sendo distribuidos pela Família os retratos dos acontecimentos mais vivos que nos iam juntando, por aqui e por ali, embora com muitos desenquadramentos, cabeças e pés cortados; uma máquina que me fascinava pela articulação ruidosa da tampa do visôr e pela sua corpulência, sinónimo de solidez e fiabilidade.


Perguntei, mas ninguém sabe onde foi parar aquela máquina, e a imagem que se segue apenas pretende ilustrar e justificar as razões do meu longínquo fascínio.

Reconheço que as imagens que ainda resistem captadas pela Rollei, não tinham grande qualidade, talvez porque ela tivesse alguma avaria, e nas minhas buscas acabei por encontrar talvez a explicação para tanto insucesso ao encontrar uma imagem em que no pescoço da Irmã que não tive, e de quem conservo uma imensa saudade, aparece a máquina que se lhe seguiu naquela Família, e de que já não me recordava,


e a qual já produziu outros resultados, e é possível recordar melhores enquadramentos de saudosos momentos.





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