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sexta-feira, abril 22, 2011

Alentejo



Folheia-se o caderno e eis o sul
E o sul é a palavra.E a palavra
Desdobra-se
No espaço com suas letras de
Solstício e de Solfejo
Além de ti
Além do Tejo

Verás o rio e talvez o azul
Não o de Mallarmé:soma de branco e de vazio
Mas aquela grande linha onde o abstracto
Começa lentamente a ser o
Sul

Outro é o tempo
Outra a medida

Tão grande a página
Tão grande a escrita

Entre o achigã e a perdiz
Entre chaparro e choupo

Tanto país
E tão pouco

Solidão é companheira
E de senhor são seus modos
Rei do céu de todos
E de chão nenhum

À sombra de uma azinheira
Há sempre sombra para mais um
Alentejo é a última utopia

Todas as aves partem para sul
Todas as aves: como a poesia

Manuel Alegre (Alentejo e ninguém)

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