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segunda-feira, outubro 12, 2015

Dia 12 de Outubro, dia de Festa





A felicidade não está em ter muito, mas em contentar-se com pouco
Sto. Agostinho


Sem sentimentos religiosos, sirvo-me de uma das mais belas frases da História para abrir este dia.
Claro que, conscientemente, os nossos muito e pouco não se pesam e muito menos se comparam com o Mundo “Imperfeito” que à nossa volta dia a dia reduz a condição humana a pó.
Passadas que estão já muitas dezenas de anos juntos partilhando afectos, ideias, projectos, realizações, alegrias e tristezas, encontramo-nos mais ou menos como aqui,





alegres pelo passado, e preparados para aceitar continuar da mesma forma, vivendo o resultado da adição da vontade de solidificar a união dos corpos que gerámos, que geraram outros corpos, para que estas linhagens continuem a brilhar enquanto houver Universo.

domingo, outubro 11, 2015

O povoamento do Baixo Guadiana




A visita ao monte da Silveira, foi obra do destino, mas embora em ruína, a importância daquele património construído para a compreensão do povoamento do Baixo Guadiana impunha não apenas a sua revisitação para o aprofundar das imagens, mas mais importante, a procura de textos que ajudassem a explicar o seu passado, e compreender o olhar ainda possível sobre o seu presente.
Quando regressávamos da nossa primeira visita, cruzámo-nos na estrada com um habitante das cercanias com quem trocámos breves palavras e ainda ficámos a saber que “ lá mais para baixo” há um outro antigo aglomerado habitacional agora desabitado. Passámos por Silveira, depois por Fonte Zambujo de Cima e no seguimento da estrada perante um cruzamento que propunha continuar pelo alcatrão ou mudar para um caminho de terra batida com uma tabuleta indicando a direcção de Portela, decidimos prosseguir confortável até um "largo” onde largámos o carro, e de máquina em punho entrámos por Fonte Zambujo de Baixo dentro, um conjunto habitacional desconforme, ocupando o relevo do terreno com alguma ruína, construções antigas bem conservadas e outras “modernizadas com o império da cal.
Experimentámos algumas imagens, rodeados do ladrar de aviso de vários cães, até que numa esquina descortinámos o aceno de um homem de idade, sentado num poial com uma bengala entre as pernas, e que perante uma “boa tarde” me convidou para sentar “ um bocadinho” a seu lado. E lá fiquei cerca de meia hora a ouvir o Senhor Zé Brás um antigo pastor, rodeados por algumas abelhas ameaçadoras, contar histórias da vida e da Terra, e prometi-lhe voltar, desta vez com pelo menos uma caneta e um bloco notas, já que a informação era tanta sobre temas tão variados e palavras desconhecidas, que o seu registo mental não podia ter sido rigoroso.
Com o tempo contado, já não voltei a Silveira, mas parei no poço que servia o Monte, onde encontrei água num ano de seca extrema, e afastei algum do pó com que o vento me brindou no percurso até um ponto onde supostamente encontraria um círculo perfeito de horizontes!


sábado, outubro 10, 2015

J’AIME LES PANORAMAS - S’APPROPRIER LE MONDE




Na introdução explicativa à exposição - “J’AIME LES PANORAMAS” S’APPROPRIER LE MONDE – fica a saber-se que o fenómeno da representação circular das paisagens foi criado “simultâneamente” na Suiça pelo cientista Horace-Bénedict em 1776 e na Escócia pelo pintor Robert Barker em 1787. Vale a pena parar um pouco para sorrir sobre a “qualidade” do tempo em que um decénio não perturbava o conceito do simultâneo, e agora, nas artes é necessário não ultrapassar um minuto para evitar a irrealidade das ondas electromagnéticas da informação globalizada que espraiam as cores e as formas potenciando a cópia e impedindo, confundindo e aviltando a verdadeira paternidade.
Na geometria arquitectónica angular a que estamos confinados no interior das nossas casas, sabe bem utilizar um pedaço de parede para suspender uma imagem que a recorte com a ilusão de estar ali aberta uma janela para um mundo intenso e tão amplo quanto possível, mas que nunca vai para além da captura de cento e oitenta graus de horizonte, mais ou menos aproximados da prespectiva real.
A visita a esta exposição, aconteceu pressionados pela nossa filha V, que a considerava essencial para os que vivem entre a fotografia e a arte, e foi a nossa primeira oportunidade para apreciar uma instalação de uma fotografia circular, bem como os desenhos e as pinturas que o seu conceito também enquadrou quando através da pena ou do pincel, desenhadores e pintores tinham tendência para alargar os horizontes das suas obras.
A fotografia circular, dos tempos “antigos” obrigava a um exigente trabalho técnico de montagem dos sucessivos fotogramas rigorosamente impressos, e a resolução final que acabámos por visitar requeria um amplo espaço ( cerca de quarenta metros quadrados ) que permitiu a sua colocação ao um nível do olhar de uma pessoa com um altura “normal”, e uma iluminação equilibrada de todo o conjunto que facilitou a observação de todos os detalhes e do efeito de conjunto.
Com a tecnologia digital, podemos imaginar planificar com facilidade todo o horizonte, mas nada se compara, à iluminação natural sem a descontinuidade dos requebros gerada pelos reajustes dos fotómetros, e à Intrepretação magnética do nosso observatório central. Podemos fazer um ensaio circular, mas depois não temos meios de o projectar; aqui vai o exemplo de duas vezes cento e oitenta graus ao redor do menir do Padrão em Vila do Bispo.

 

segunda-feira, outubro 05, 2015

A Arqueologia e a Herdade do Esporão, uma colheita de Eleição. (2)




No 5 de Outubro, um dia muito particular em ângulos muito variados, e ainda a propósito dos Perdigões, atrevo-me a uma reflexão sobre a Liberdade.
 


Na arqueologia de campo, existe a tendência (boa) para que cada investigador seja sugestionado pelos conteúdos dos círculos onde trabalha e se movimenta. A informação sobre o Mundo da pré-história está cada vez mais globalizada e acessível, e portanto a importância e o enquadramento de cada “nova” descoberta transforma muitas cartilhas, e provoca a quem vive no ambiente científico a avaliação permanente das metodologias interpretativas.
A pré-história, é o melhor dos ambientes para frutificar a dúvida sistemática, que abrange os espaços ocupados pelas populações, os registos por elas edificados e abandonados por razões desconhecidas, bem como todos os materiais que preenchem as camadas arqueológicas desde a base da primeira ocupação até ao estrato mais proximal. À medida que se passa do conhecimento dos sítios ao reconhecimento dos subsolos, e a novas localizações, alarga-se o campo de análise às relações entre cada agregado material e as hipóteses já em discussão para o enquadramento dos paralelismos. Uma ideia de arqueologia que não conviva com reservas mentais, fica cada vez mais forte com novos achados traduzidos em avanços no conhecimento.
Nos Perdigões, foram encontradas “FIGURAS ANTROPOMÓRFICAS” – “Personagens terrenas ou divinas, representações ou entidades vivas, estas figurinhas introduzem pela primeira vez na arte Pré-Histórica um corpo humano fortemente subordinado ao naturalismo e relembram que o esquematismo vigente na época resulta inequivocamente uma opção estética e não de qualquer incapacidade técnica” (in COMPLEXO ARQUEOLÓGICO DOS PERDIGÕES ed. ESPORÃO).
Já deixei expresso em vários apontamentos firme discordância com a “incapacidade técnica” na pré-história, que nunca poderá ser aceite sem um comprovado fundamento físico, e este é impossível de se justificar em populações que nos deixaram materiais líticos, em osso, marfim, metal, ou em cerâmica, resultantes de notável domínio sobre a matéria e forte determinação na relação da estética com a função prática dos “objectos”, em especial dos não “mudos”. Também é inaceitável, que na raça Humana tenha ocorrido um longo “desaparecimento” dos registos das capacidades inatas dos descendentes de gravadores e pintores paleolíticos, e que as opções estéticas das sociedades agro-pastoris ocupantes dos mesmos espaços geográficos tenham surgido por influência de gente com origem em paragens orientais que tenha entretanto vindo aportar ao mesmo território, como acontece com a introdução em muitos discursos da expressão “influência orientalizante”.
Ficará sempre por provar que nas primitivas sociedades agro-pastoris a classe dominante (a elite, para alguns) vivia à custa de um já diversificado conjunto de servos (caçadores, pastores, tecelões, ceramistas, etc) quem sabe se aconchegados numa guarda pretoriana, e a felicidade era apenas o resultado da satisfação de todos os seus “vícios”. Luís Raposo (LR), num artigo publicado há tempos no Jornal Público escrevia que “para o caçador do Paleolítico, o valor supremo era o ócio”, mas tal ideia colocada abstractamente no espaço e marcada num tempo, é redutora da capacidade de um Homem, que desde o “Neandertal”, terá tido sempre no pensamento a capacidade de exigência da liberdade, embora LR pretenda justificar tal atitude porque acha que a primeira das preocupações era então o “controlo da natalidade”. 

É difícil entender o “ócio” na pré-história como uma manifestação do consciente, já que se aceita como característica humana, e com agrado, que a necessidade aguça o engenho, e naquele período da humanidade o desconhecido tinha uma tal dimensão que o olhar à volta como instinto defensivo também potenciava a descodificação das mensagens que a natureza transmite como uma espécie de transpiração. O ócio seria pois, e quanto muito, um instrumento de aprendizagem e ao mesmo tempo um estimulante cerebral. Se os construtores idealistas dos Perdigões encontraram aquele lugar completamente despovoado, tiveram pois a liberdade de pensar nos requisitos para cumprir o seu objectivo imediato de instalação, e as experiências passadas, e o “ócio” terão quiçá conduzido à definição da sua arquitectura organizacional em base astronómica, com as quatro entradas do complexo arqueológico em pontos opostos de duas linhas determinadas pelo nascimento e ocaso do sol nos solstícios de verão e de inverno.

O António Carlos Valera, discorrendo sobre os resultados nas escavações nos Perdigões, acha que os seus ocupantes não tinham ainda colocado a raça humana num patamar superior ao dos animais, pois interpreta como tal a convivência das representações animais e humanas em contextos de deposição funerária, e ainda no simbolismo funerário de um canídeo e o seu relevante enquadramento espacial no “recinto”. 

À reflexão sobre a mais ampla das liberdades que é a criação, traduzida numa primeira fase em fazer um filh@, e depois em encontrar as condições para que esse ser possa sobreviver no meio ambiente hostil, não é indiferente (antes pelo contrário) à nossa experiência de vida e às transformações socio-culturais que fomos sendo capazes de apreender, e portanto quando se pretende discorrer sobre as representações zoomórficas ou antropomórficas na pré-história, falta a base de conhecimento do ambiente socio-cultural, que embora sempre evolutivo, também não sabemos se foi muito ou pouco descontínuo, e que factores exógenos às sociedades autóctones determinaram cada uma das alterações que julgamos estar traduzidas em alguns dos objectos (uns aparentemente votivos, outros ditos do quotidiano) que as escavações arqueológicas vão revelando, como é o caso dos chamados simplesmente de “ídolos” (ex. “figuras antropomorfas”).
Na pré-história, quando espontaneamente um artesão concebia um objecto ideotécnico, o prazer da liberdade criativa sublimava a identidade, regulava a sua responsabilidade para com a natureza que lhe comunicou o instinto dos processos criativos, deixando na arte não apenas uma impressão digital ao acaso, mas a construção de uma visão intimista do Mundo Ideal, que agora é impossível descodificarmos. No Museu do Esporão, estão hoje disponíveis algumas das traduções estéticas encontradas no sítio dos Perdigões que revelam a expressão de uma liberdade criativa, e de felicidade porventura inquestionável.
Se todo o ser tem direito à felicidade, a Liberdade é o valor supremo da Humanidade, sendo a privação da mesma contranatura. A ´”história” de que a liberdade de cada um acaba quando não se respeita a liberdade dos outros, é um aforismo, visto que o Homem encontra todos os dias “razões” para retirar a vida a milhares de seres humanos, seja por Leis que os Povos vão achando a cada momento adequadas, seja por causa de disputas fúteis, seja por razões ideológicas que justificam guerras mais ou menos “santas”, mas sempre através do poder do dinheiro, das burocracias de vários matizes desde a mediática à clerical, ou até mesmo porque “apetece”.
Na chamada liberdade civil,
que segundo Vattel,  é o “estado em que os cidadãos, desfrutando de sua liberdade natural, mas em que não está presente o bem público, estão sujeitos a um Governo regulado por leis e não a um poder arbitrário”, a privação da liberdade, só por si assente numa decisão discricionária, mesmo que “justificada” em disposições legais, traduz-se simplesmente numa forma de tortura.
Nas épocas da pré-história que mais aprecio, o período que abrange o neolítico final e o calcolítico, a criatividade tem uma forte acreditação na pureza das expressões plásticas, e embora possa não ser claro, acho que a sua coerência reflete uma forte expressão da liberdade, uma liberdade que se sublimava na descoberta, ocupação e desbravamento de um território desconhecido, que praticamente ainda não tinha donos, e em que as grandes preocupações de segurança se equilibravam entre as fontes dos perigos humano e animal.
A Liberdade está cada vez mais “cara”, morre-se todos os dias para a defender, e continua como sempre sendo objecto de preocupação, estudo e teimosia para todos os que consideram que a vida só tem sentido se for sendo justificada, tal como fazia o Homem da pré-história, que compreendendo “tanto” como nós sobre o segredo vital da criação do Universo, intuia que a ligação entre o passado e o seu presente devia ficar marcada na Terra, pelo menos nos ambientes funerários quando os corpos acabam esmagados pelo peso da abóboda celeste.
Construir a liberdade, será sempre tarefa do Arquitecto dos idealismos puristas.

Dia 5 de Outubro, dia de Festa


Porque tudo começa pelos botões que dão as flores. 



 

quinta-feira, outubro 01, 2015

terça-feira, setembro 29, 2015

Menires de Vila do Bispo




Junto ao Menir do Padrão, olhando o horizonte o que escutamos?
- O mesmo cheiro de milénios atrás!
Deitado de lado junto ao Menir do Padrão, o ouvido encostado ao chão, sentimos o barulho do mar, porquê?

- A Terra, absorve as conversas entre a Serra de Monchique e as estrelas!
Com um joelho no chão, uma mão no queixo e o olhar neste megálito, imaginámos Rodin a olhar as pedreiras donde extraiu os menires da sua imaginação.





Em pé de costas para o Sol, que se esgota, protegemo-lo dos rasgos dos raios solares durante alguns instantes.
Por fim, rodeando o Menir do Padrão, e procurando todos os seus perfis, encontramos linhas imaginárias, que tal como uma teia de aranha unem os anos que passaram desde que com corpos suados e muito engenho se ergueu ali um marco ao culto da fertilidade, que também nos trouxe até aqui, e cujo epicentro territorial terá sido comemorado com rituais corporais mais ou menos carnais, mais ou menos eróticos, mais ou menos envoltos em sacrifícios animais, ou nada disso, mas simplesmente um discurso de mapeamento de um território “pré Adão e Eva”, isto é, o Paraíso.



sábado, setembro 19, 2015

Gèneve, da Série A Arquitectura e os enquadramentos realistas

Num País “pequeno”, e numa Cidade em expansão, a sabedoria do seu desenvolvimento arquitectónico, guiado pela modernidade, sustenta-se firme nos avanços tecnológicos e na manipulação das ferramentas que a engenharia coloca ao serviço das canetas digitais mais arrojadas. Os resultados, são cada vez mais cromáticos, e o vidro e o alumínio têm espaço de previlégio para diminuir os constrangimentos da luminosidade condicionada pela geografia.
 


 

segunda-feira, setembro 14, 2015

domingo, setembro 13, 2015

sábado, setembro 12, 2015

Genève, e a História do Lac

As histórias do Lac em imagens do passado, debruçadas sobre o passeio de quem olha o presente.


 

sexta-feira, setembro 11, 2015

quinta-feira, setembro 10, 2015

A intimidade com as objectivas

Todas as cores concordam no escuro
Francis Bacon



 

quarta-feira, setembro 09, 2015

O sentido da Vida, e a intimidade com as objectivas

Eu sou um perfeccionista. Quando capto uma fotografia, esta tem de ser boa
Weegee




O mistério do sentido da vida revela-se todos os dias, por mais ténue que seja o sinal que a conjugação do fluido pensamento entorna sobre a realização estimulante dos olhares. Quando enlevados nos carinhos colectivos, a realidade da partida inevitável (mas, porquê inevitável?) do mais carinhoso dos “Irmãos” nos acabou por chegar noticiada de tão longe, acabámos o dia procurando explicação para o sofrimento e imagens para fugir desse imerecimento. Afinal esperava-me saber olhar, e encontrar a conjugação entre as sombras (a minha, claro) e a boia onde já não voltarão a amarrar-se os nossos afectos e, no desenho da conjugação das duas pirâmides lá ficarei mais só até ao Fim.




 

terça-feira, setembro 08, 2015

segunda-feira, setembro 07, 2015

sábado, setembro 05, 2015

A intimidade com as objectivas

Vêm ao de cima imagens serenas da Ria Formosa, retiradas do dia de uma curta despedida, que embora amarga como todas as outras, estava porém mitigada porque transformada na bela moldura do reencontro, e escolhidas para que a “vida” continue em estado automático preenchendo ausências breves pelos teclados.

 

sexta-feira, setembro 04, 2015

A intimidade com as objectivas



 


 



Deitando para bem longe, lá onde paira o paraíso dos feitiços, as interrogações sobre a resistência das actuais imagens digitais e da consistência das nuvens, acreditar é preciso não apenas no testemunho que estas proporcionarão, mas também do potencial florescente nas memórias das agora infâncias que hão-de continuar a escrever as páginas mais doiradas dos livros das Famílias. Embora com a pieguice de tantos anos empilhados, hoje, ainda distinguimos bem a diferença entre o  prazer de realizarmos a convergência das latitudes cimentando os laços familiares, e a apreciação dos carinhos colectivos, os quais num fim de semana alongado, vão emergir da frescura das correntes de ar evaporadas de um grande depósito de sedimentos lacustres.


 

quinta-feira, setembro 03, 2015

quarta-feira, setembro 02, 2015

terça-feira, setembro 01, 2015