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terça-feira, novembro 12, 2024

sábado, fevereiro 09, 2019

Paisagens compostas,

 

sexta-feira, fevereiro 08, 2019

A intimidade com as objectivas

Entre o brilho da cal e a sombra da cobertura de canas,

 

quinta-feira, fevereiro 07, 2019

A intimidade com as objectivas

As cores e as paisagens do Alentejo,

 
 

 

domingo, julho 29, 2018

Perdigões, um santuário da Arqueologia em Portugal

As escavações na zona central vão continuando, e a estrutura circular em pedra com abertura para nascente sem utilização definida está limpa.
 
 
 
 
 





 
 
 

sexta-feira, julho 27, 2018

Perdigões, um santuário da Arqueologia em Portugal

Esta ano houve um dia em cheio para os Young Boys! 
Longa viajem para participar no Dia Aberto dos Perdigões, um dos actuais Santuários da Arqueologia Portuguesa.
Visitas guiadas aos dois locais das duas campanhas de 2018, às reservas e ao Museu na Torre do Esporão, terminando a manhã com uma palestra pelo nosso Amigo António Valera que deu conta dos avanços no conhecimento da mobilidade dos indivíduos enterrados nos monumentos funerários do complexo, através das análises dos isótopos de estrôncio.
A visita terminou com um "almoço neolítico" acompanhado com vinho do Esporão. 
 
 
A zona central dos Perdigões em progressão,
 
 
 
A tholos escavada na 1ª campanha de 2018. A câmara foi construída em xisto com estrutura em falsa cúpula, a partir de uma fiada de pedra clara na base, com uma única pedra negra colocada no ponto virado a Norte.
 
 
 

domingo, julho 30, 2017

Perdigões, um Santuário da Arqueologia em Portugal

Não fora uma conjugação de factores irrepetíveis, não teríamos uma "reserva arqueológica" de cerca de 17 ha no meio de uma herdade onde há vinte anos atrás se ia apenas plantar uma vinha.
Na área agrícola as imagens são como estas.
 
 
 
 

 

sábado, julho 29, 2017

Perdigões, um Santuário da Arqueologia em Portugal




Esta semana, um dia em cheio para as Young Girls, e não só!... 
Longa viajem para visita privada aos Perdigões, um dos actuais Santuários da Arqueologia Portuguesa, com direito a receção personalizada pelo nosso Amigo António Valera que gentilmente nos guiou, relevando as "descobertas" deste ano, a meia hora do final da campanha de escavações de 2017, quando já se desmontavam as "protecções UV" e o Sol fez brilhar as cores reais dos vários planos estratigráficos desde o Neolítico até ao Bronze Final.
Para a juventude, entre outras "compensações", no regresso um gelado do Sr. Nicolau em Mértola!
Para saber mais http://perdigoes2011.blogspot.pt/ já com uma "fresca" imagem final (39º).
 
 
 
 

 

sábado, junho 25, 2016

A intimidade com a arqueologia

Depois do solstício, a visita guiada às escavações nos Perdigões, e o regresso pelos caminhos dourados ao Alentejo real,
 
 
 
 
 
 

 

quinta-feira, junho 23, 2016

Ainda o Solsctício nos Perdigões

Quando finalmente o Sol rompeu a aurora olhou os nossos olhos,


 

segunda-feira, junho 20, 2016

2016, começou o Verão!


Para comemorar o começo do Verão, nós, este ano fomos até aos Perdigões observar o nascimento do Sol (6h 04m), e também para nos acompanhar passaram por lá duas pegas à frente da minha objectiva.
Como já escrevi, o complexo arqueológico dos Perdigões, ocupado durante cerca de mil e quinhentos anos, é para mim hoje no seu contexto temporal o segundo mais importante sítio do Sudoeste a seguir a Porto Torrão, e embora ainda não esteja classificado como Monumento Nacional, beneficia de uma protecção natural pois o proprietário de quatro quintos da área arqueológica é a FINAGRA cujos donos se comprometeram a não utilizar para fins agrícolas todo o interior do perímetro até agora reconhecido como parte integrante da implantação dos Perdigões, e a ERA promove também como mecenas e com apoios de Universidades estrangeiras campanhas anuais de aprofundamento no seu conhecimento.
Não há muitas “novidades” sobre os Perdigões, e como aquilo é trabalho para várias gerações também não verei ou ouvirei serem esclarecidas as dúvidas e as “certezas” dos actuais “concessionários”, mas lá se vão solidificando algumas hipóteses sobre a relação estreita dos seus muitos milhares de ocupantes, (o sítio, é ainda mais velho do que Portugal,…) com os fenómenos astrológicos e cartográficos. Nas imagens seguintes de ontem (os créditos claro que são meus,…) podem ver-se, na primeira dois postes, o proximal implantado no buraco de um poste do Neolítico situado no centro do complexo arqueológico e o distal alinhado na direcção do promontório de Monsaraz bem visível no horizonte, orientação igual para a abertura de uma estrutura circular Calcolítica, cabana(?) apresentada no segunda imagem.


 
 
 
 
 


 
 
Sobre o sítio dos Perdigões, faz cada vez mais falta uma publicação monográfica que dê a conhecer não apenas os resultados globais de quase duas décadas de escavações, mas também as expectativas dos actuais “rendeiros”, os arqueólogos da Era-arqueologia SA, mas sempre se podem ir acompanhando alguns episódios através de um blogue, como por exemplo, usando o endereço  http://portugueseenclosures.blogspot.pt/2016/06/0350-solstice-at-perdigoes-new.html

domingo, fevereiro 21, 2016

Reguengos de Monsaraz e Os Perdigões, um sítio de agregação na Pré-História


 



O Universo é um Mistério, estudá-lo é uma obrigação para quem o habita. 

“Os Perdigões, um sítio de agregação na Pré-História e no presente”, foi o título escolhido para um encontro, particularmente datado, desencadeado por alguns dos responsáveis pela investigação do complexo arqueológico dos Perdigões e promovido pela Direcção Regional de Cultura do Alentejo, no pressuposto de que convergiria a Évora gente em diferentes estados de maturação, para ouvir, pensar e interrogar, contrariando a vulgata da investigação arqueológica secreta que “esconde” as conclusões do público dito generalista, tratando dos assuntos em “família”. Na ocasião, foi aberta uma pequena exposição temporária na Galeria do Centro Regional de Cultura acompanhada de um conjunto de posters, cujas imagens fixei e aparecem no final do texto.
O complexo dos Perdigões é um projecto em desenvolvimento ao longo dos últimos vinte anos, com campanhas arqueológicas anuais, que se traduziram até hoje no estudo de apenas 1% da área envolvida, e passível de vir a ser classificado pela UNESCO como Património da Humanidade pela potencialidade da informação já recolhida e da que ali permanece jacente, e por isso não só aguarda pelo contributo activo de mais do que uma geração, mas também do sucessivo avanço no conhecimento das ciências multidisciplinares hoje indispensáveis ao rigor no progresso da investigação dos sítios pré-históricos. A existência primeira dos Perdigões deve-se à conjugação dos contributos decisivos do IPA (Instituto Português de Arqueologia) entretanto extinto pelo Governo PSD/CDS, e da Finagra (hoje, Esporão) proprietária da maior parte dos terrenos de implantação do sítio, e a persistência da investigação tem contado com vários apoios mecenáticos Nacionais e Estrangeiros, entre os quais sobressai a ERA Arqueológica na sua qualidade de empresa privada, embora aliada à responsabilidade pela condução das diversas vertentes da investigação.
A volumosa informação do sítio dos Perdigões, que abrange cerca de 1.500 anos percorridos entre o Neolítico Médio e o Calcolítico Final, já permitiu autonomizar alguns projectos sectoriais com resultados que congregam consciências para acomodar conhecimento, acamar ideias e fortalecer opiniões que vão percorrendo os caminhos dominadores do território misterioso de milénios longínquos. A informação entretanto já publicada sobre os detalhes científicos das investigações, está acessível de forma orientada em,
www.perdresearch.blogspot.com
A atracção que Os Perdigões me despertaram, resulta da sua qualidade intrínseca, sobreposta às épocas da investigação arqueológica de que me fui tornando “dependente”, seja não apenas pelo desafio da sua natureza pré-histórica, seja pelas influências estéticas responsáveis por algumas das minhas realizações materiais na parte da vida marginal, à arqueologia, e ao meu percurso profissional. A apaixonante capacidade criativa dos artífices do Calcolítico, muita dela marcadamente simbólica, fica aqui ao acaso documentada numa imagem de um pequeno vaso encontrado no espólio da Anta Grande do Zambujeiro, com toda a sua iconografia caratcterística; os “olhos” solares da “Deusa Mãe”, as tatuagens faciais, o triângulo representativo do feminino tão importante para a procriação na expansão da espécie humana, e que está exposto no Museu de Évora em conjunto com o espólio daquele Monumento.



Como em qualquer investigação de um sítio Pré-Histórico, os estudos desenvolvem-se sobre dois planos: o local físico, e a energia que os materiais encontrados aportam.
O local físico escolhido para a implantação dos Perdigões pode ser descrito como um anfiteatro natural debruçado sobre o vale da Ribeira do Álamo, orientado para nascente com cerca de 450 metros de diâmetro na sua versão hoje considerada final. No “centro” do sítio foi encontrada uma cabana com uma planta em círculo aberto, datada no Neolítico Médio; aproximadamente com sete metros e meio de diâmetro e uma abertura com quase sete metros, cujos extremos para quem se encoste no seu interior oriental coincidem com o ponto em que desperta o Sol nos solstícios de Inverno e de Verão, como se no horizonte dominado pelo promontório de Monsaraz, se plasmasse uma carta solar diária em que o ponto de despontar do sol caminha da esquerda para a direita até regressar anualmente ao ponto de partida, e o meio do ano marcado com rigor por dois postes alinhados, um implantado no meio da cabana e um outro uns metros à frente bem fora da cabana (Poster 5).
Não foram até agora encontrados vestígios de uma sucessiva ocupação permanente que aproxime os Perdigões de um povoado clássico, e por isso se vem falando do “complexo arqueológico dos Perdigões”, um local de agregação ou convergência temporária de gentes, uma vasta área repleta de vivências que se foi articulando através de uma rede de fossos mais ou menos concêntricos escavados no solo geológico, cuja função significativa está pendente do avanço da investigação, sendo que também não parece ter existido uma progressiva expansão territorial, já que o fosso mais exterior do Neolítico ajusta-se ao fosso mais exterior do Calcolítico, (Poster 2) dentro da qual se encontraram diferentes tipos de sepulcros, e marginalmente um Cromeleque cuja interpretação está por fazer, monumento este que embora com os menires tombados foi um dos pontos de partida para identificação do sítio, abandonado repentinamente no final do Calcolítico, não se tendo encontrado sinais de qualquer ocupação posterior. Ficámos agora a saber que os investigadores estimam em 60 000 toneladas o volume de rochas retiradas do interior de dois terços dos fossos riscados, e cujo destino é ainda desconhecido, concluindo-se pacificamente que a sua escavação humana realizada com os instrumentos disponíveis na época (grandes ossos, machado de pedra, hastes de veado e de outros animais), embora realizada ao longo de um século e meio, mas sem uma aparente força de trabalho residente em permanência, mobilizou necessariamente os milhares de pessoas responsáveis pela abertura dos fossos e pela remoção dos “entulhos” para um local aparentemente distante.
Embora se encontre num estado inicial, já decorre a investigação aos restos humanos sobre o teor dos isótopos de estrôncio depositados pela água na dentição humana nos primeiros anos da vida humana, água essa com composição diferenciada no espaço terrestre, e os dados disponíveis apontam para que pelo menos um quarto dos mortos encontrados nos diversos sepulcros pertencem a indivíduos que vieram de regiões distantes, como por exemplo a península de Lisboa, à qual se ajustam os resultados das análises às suas águas.
Os materiais cerâmicos, e os instrumentos característicos dos mais diversos períodos de presença no local, demonstrativos de uma alargada interacção regional, já permitem estabelecer uma carta de relações com as origens das matérias primas ou das regiões com que se associam determinados padrões; por exemplo, decorações calcolíticas da região de Lisboa, vasos votivos em calcário de Pero Pinheiro, pedras verdes da Serra Morena, ídolos bétilo em calcário de Vila Viçosa, silex da região de Granada, cinábrio usado em tatuagens importado de Ciudad Real, e marfim de elefantes da savana Africana. 
O arquivo dos materiais dos Perdigões já possibilitou a avaliação antropológica e o estudo dos resultados da escavação do chamado sepulcro 1 (Lucy Shaw Evangelista), direccionado os resultados para perfis que permitam avaliar “quem eram” os mortos, através da idade, sexo, estatura e DNA. Os enterramentos vêm revelando uma mistura entre, se assim se pode chamar, a vida e a morte, mas em que para as mesmas épocas há diferentes materiais nos sepulcros que são formalmente distintos, relevando-se o mesmo no caso das deposições de restos humanos cremados.
Os cerca de 15 000 ossos do registo faunístico nos Perdigões já estudados, correspondentes a 20 000 animais diferentes (Cláudia Costa) vem permitindo iniciar um modelo que cuida em considerar a fiabilidade da amostra pois, lembremos, os dados provêm de 1% da área total do complexo, agregando os resultados em dois grupos, o do Neolítico final e o do Calcolítico. Com os dados actuais, verifica-se uma alteração dos padrões de consumo entre naquelas duas épocas, como por exemplo respectivamente para o Neolítico e para o Calcolítico, 46% e 27% de porco e javali, 21% e 31% de coelhos e lebres, 18% e 8% de ovinos e caprinos, 4% e 9% de vaca e, uns curiosos 7% de veado apenas no Calcolítico.
Milhões de Mulheres e de Homens acreditam na existência de um ser Criador do Universo a que chamam de Deus e ao longo dos séculos foram surgindo vários “Deuses” agregados com as mais diversas filosofias, ou teologias. E não bastou a existência imaterial desses “Deuses e Deusas”, o Homem, caminhou passo a passo na sua representação inspirado na sua própria imagem. Os patamares de crescimento das mais primitivas imaginações criativas estão perdidos no pó dos tempos, por falta de suportes de registo, até porque esses artefactos idiotécnicos raramente se encontram nos locais de elaboração, tendo acompanhado os passos dos seus “adoradores”, muitas vezes até à derradeira morada, num demorado e desconhecido percurso.
Entre os achados mais importantes dos Perdigões, estão os “ídolos” na forma de representações antropomórficas em calcário, osso e marfim, que a par das plantas da rede de fossos descobertas com o auxílio da magnetometria (uma ferramenta não intrusiva), são os ícones mais presentes no grafismo da publicidade aos Perdigões, no bom sentido, claro.



 
 

 
 

 
 

 
 

 
 

 
 

 
 

 
 


Termino estas notas com um citação de Goethe, e com uma profissão de fé no Homem, na sua capacidade de superar a adversidade dos interesses económicos que não percebem o sentido, e a vantagem, da investigação histórica e da criação de emprego que ela pode aportar, reafirmando o compromisso com a apreensão dos conhecimentos que me vão sendo proporcionados, guardados para pensar, e sempre que possível com modéstia, os partilhar. 

Então, ânimo, e dai o vosso melhor. Dai força à imaginação, com todo o coração, inteligência e razão, paixão e sentimento. E lembrem-se, não percam a loucura - J. W. Goethe

segunda-feira, outubro 05, 2015

A Arqueologia e a Herdade do Esporão, uma colheita de Eleição. (2)




No 5 de Outubro, um dia muito particular em ângulos muito variados, e ainda a propósito dos Perdigões, atrevo-me a uma reflexão sobre a Liberdade.
 


Na arqueologia de campo, existe a tendência (boa) para que cada investigador seja sugestionado pelos conteúdos dos círculos onde trabalha e se movimenta. A informação sobre o Mundo da pré-história está cada vez mais globalizada e acessível, e portanto a importância e o enquadramento de cada “nova” descoberta transforma muitas cartilhas, e provoca a quem vive no ambiente científico a avaliação permanente das metodologias interpretativas.
A pré-história, é o melhor dos ambientes para frutificar a dúvida sistemática, que abrange os espaços ocupados pelas populações, os registos por elas edificados e abandonados por razões desconhecidas, bem como todos os materiais que preenchem as camadas arqueológicas desde a base da primeira ocupação até ao estrato mais proximal. À medida que se passa do conhecimento dos sítios ao reconhecimento dos subsolos, e a novas localizações, alarga-se o campo de análise às relações entre cada agregado material e as hipóteses já em discussão para o enquadramento dos paralelismos. Uma ideia de arqueologia que não conviva com reservas mentais, fica cada vez mais forte com novos achados traduzidos em avanços no conhecimento.
Nos Perdigões, foram encontradas “FIGURAS ANTROPOMÓRFICAS” – “Personagens terrenas ou divinas, representações ou entidades vivas, estas figurinhas introduzem pela primeira vez na arte Pré-Histórica um corpo humano fortemente subordinado ao naturalismo e relembram que o esquematismo vigente na época resulta inequivocamente uma opção estética e não de qualquer incapacidade técnica” (in COMPLEXO ARQUEOLÓGICO DOS PERDIGÕES ed. ESPORÃO).
Já deixei expresso em vários apontamentos firme discordância com a “incapacidade técnica” na pré-história, que nunca poderá ser aceite sem um comprovado fundamento físico, e este é impossível de se justificar em populações que nos deixaram materiais líticos, em osso, marfim, metal, ou em cerâmica, resultantes de notável domínio sobre a matéria e forte determinação na relação da estética com a função prática dos “objectos”, em especial dos não “mudos”. Também é inaceitável, que na raça Humana tenha ocorrido um longo “desaparecimento” dos registos das capacidades inatas dos descendentes de gravadores e pintores paleolíticos, e que as opções estéticas das sociedades agro-pastoris ocupantes dos mesmos espaços geográficos tenham surgido por influência de gente com origem em paragens orientais que tenha entretanto vindo aportar ao mesmo território, como acontece com a introdução em muitos discursos da expressão “influência orientalizante”.
Ficará sempre por provar que nas primitivas sociedades agro-pastoris a classe dominante (a elite, para alguns) vivia à custa de um já diversificado conjunto de servos (caçadores, pastores, tecelões, ceramistas, etc) quem sabe se aconchegados numa guarda pretoriana, e a felicidade era apenas o resultado da satisfação de todos os seus “vícios”. Luís Raposo (LR), num artigo publicado há tempos no Jornal Público escrevia que “para o caçador do Paleolítico, o valor supremo era o ócio”, mas tal ideia colocada abstractamente no espaço e marcada num tempo, é redutora da capacidade de um Homem, que desde o “Neandertal”, terá tido sempre no pensamento a capacidade de exigência da liberdade, embora LR pretenda justificar tal atitude porque acha que a primeira das preocupações era então o “controlo da natalidade”. 

É difícil entender o “ócio” na pré-história como uma manifestação do consciente, já que se aceita como característica humana, e com agrado, que a necessidade aguça o engenho, e naquele período da humanidade o desconhecido tinha uma tal dimensão que o olhar à volta como instinto defensivo também potenciava a descodificação das mensagens que a natureza transmite como uma espécie de transpiração. O ócio seria pois, e quanto muito, um instrumento de aprendizagem e ao mesmo tempo um estimulante cerebral. Se os construtores idealistas dos Perdigões encontraram aquele lugar completamente despovoado, tiveram pois a liberdade de pensar nos requisitos para cumprir o seu objectivo imediato de instalação, e as experiências passadas, e o “ócio” terão quiçá conduzido à definição da sua arquitectura organizacional em base astronómica, com as quatro entradas do complexo arqueológico em pontos opostos de duas linhas determinadas pelo nascimento e ocaso do sol nos solstícios de verão e de inverno.

O António Carlos Valera, discorrendo sobre os resultados nas escavações nos Perdigões, acha que os seus ocupantes não tinham ainda colocado a raça humana num patamar superior ao dos animais, pois interpreta como tal a convivência das representações animais e humanas em contextos de deposição funerária, e ainda no simbolismo funerário de um canídeo e o seu relevante enquadramento espacial no “recinto”. 

À reflexão sobre a mais ampla das liberdades que é a criação, traduzida numa primeira fase em fazer um filh@, e depois em encontrar as condições para que esse ser possa sobreviver no meio ambiente hostil, não é indiferente (antes pelo contrário) à nossa experiência de vida e às transformações socio-culturais que fomos sendo capazes de apreender, e portanto quando se pretende discorrer sobre as representações zoomórficas ou antropomórficas na pré-história, falta a base de conhecimento do ambiente socio-cultural, que embora sempre evolutivo, também não sabemos se foi muito ou pouco descontínuo, e que factores exógenos às sociedades autóctones determinaram cada uma das alterações que julgamos estar traduzidas em alguns dos objectos (uns aparentemente votivos, outros ditos do quotidiano) que as escavações arqueológicas vão revelando, como é o caso dos chamados simplesmente de “ídolos” (ex. “figuras antropomorfas”).
Na pré-história, quando espontaneamente um artesão concebia um objecto ideotécnico, o prazer da liberdade criativa sublimava a identidade, regulava a sua responsabilidade para com a natureza que lhe comunicou o instinto dos processos criativos, deixando na arte não apenas uma impressão digital ao acaso, mas a construção de uma visão intimista do Mundo Ideal, que agora é impossível descodificarmos. No Museu do Esporão, estão hoje disponíveis algumas das traduções estéticas encontradas no sítio dos Perdigões que revelam a expressão de uma liberdade criativa, e de felicidade porventura inquestionável.
Se todo o ser tem direito à felicidade, a Liberdade é o valor supremo da Humanidade, sendo a privação da mesma contranatura. A ´”história” de que a liberdade de cada um acaba quando não se respeita a liberdade dos outros, é um aforismo, visto que o Homem encontra todos os dias “razões” para retirar a vida a milhares de seres humanos, seja por Leis que os Povos vão achando a cada momento adequadas, seja por causa de disputas fúteis, seja por razões ideológicas que justificam guerras mais ou menos “santas”, mas sempre através do poder do dinheiro, das burocracias de vários matizes desde a mediática à clerical, ou até mesmo porque “apetece”.
Na chamada liberdade civil,
que segundo Vattel,  é o “estado em que os cidadãos, desfrutando de sua liberdade natural, mas em que não está presente o bem público, estão sujeitos a um Governo regulado por leis e não a um poder arbitrário”, a privação da liberdade, só por si assente numa decisão discricionária, mesmo que “justificada” em disposições legais, traduz-se simplesmente numa forma de tortura.
Nas épocas da pré-história que mais aprecio, o período que abrange o neolítico final e o calcolítico, a criatividade tem uma forte acreditação na pureza das expressões plásticas, e embora possa não ser claro, acho que a sua coerência reflete uma forte expressão da liberdade, uma liberdade que se sublimava na descoberta, ocupação e desbravamento de um território desconhecido, que praticamente ainda não tinha donos, e em que as grandes preocupações de segurança se equilibravam entre as fontes dos perigos humano e animal.
A Liberdade está cada vez mais “cara”, morre-se todos os dias para a defender, e continua como sempre sendo objecto de preocupação, estudo e teimosia para todos os que consideram que a vida só tem sentido se for sendo justificada, tal como fazia o Homem da pré-história, que compreendendo “tanto” como nós sobre o segredo vital da criação do Universo, intuia que a ligação entre o passado e o seu presente devia ficar marcada na Terra, pelo menos nos ambientes funerários quando os corpos acabam esmagados pelo peso da abóboda celeste.
Construir a liberdade, será sempre tarefa do Arquitecto dos idealismos puristas.

segunda-feira, agosto 31, 2015

A intimidade com as objectivas


Nas terras do Esporão cresce a vinha, que bebe na paisagem os sabores das castas dos vinhos do Alentejo, que curam a sede tal como a água da nascente. 

 
 
 
 




 

domingo, agosto 30, 2015

A intimidade com as objectivas


No Esporão, os resultados resultam do equilíbrio perfeito entre o controle das altas temperaturas do Alentejo e o calendário para os vinhos repousarem nos barris em carvalho Francês ou Americano que contaminam o néctar com as suas essências naturais.
 
 
 
 
 

 

sábado, agosto 29, 2015

A intimidade com as objectivas

Todos os caminhos do Esporão vão dar às suas caves.

 
 
 

 

sexta-feira, agosto 14, 2015

A Arqueologia e a Herdade do Esporão, uma colheita de Eleição.

O envelhecimento, chamemos-lhe “sustentado”, não se conforma com a memória já ocupada, deve prosseguir com desafios cada vez mais fortes e adequados às nossas capacidades físicas, já que as mentais estão só dependentes da frescura muscular que vive no centro de comando do exercício das vontades. Na véspera de mais um Dia de Festa, porque na verdade ela começa hoje, faz bem recordar que uns dias atrás, fiz quinhentos quilómetros numa volta de trezentos e sessenta graus, pela necessidade de finalmente conhecer um “sítio” que encerra muitos segredos, alguns desvendados de quando em vez, sobre o “mundo” que ocupa parte do pensamento diário, e quase no fim do longo dia foi gratificante poder assistir, com alguns “Amigos da Causa”, à inauguração de um novo Museu de Arqueologia no Alentejo, e a devida nota detalhada fica para um pouco mais tarde.


Depois do solene casamento de papel firmado entre uma Indústria do Vinho de primeira linha e a Arqueologia, todos os seus súbditos fieis ficámos alegres, não por perfumados vapores alcoólicos, mas pela esperança nos resultados das “colheitas” anuais.
Uma figura principal da Era Arqueologia disse naquele dia que “o Sucesso na exploração arqueológia na Herdade dos Perdigões situada em Reguengos de Monsaraz resultou da feliz coincidência entre a descoberta do sítio, e o Partido Socialista ter adoptado a Arqueologia como instrumento eleitoral”, sublinhando o autor da frase, que todos se lembrarão de - “as gravuras não sabem nadar”! De facto, na sequência das discussões em torno de Foz Coa, reforçou-se a capacidade de intervenção pública na defesa do património arqueológico nacional, através do entretanto criado Instituto Português de Arqueologia, o IPA, destruído pelo actual Governo, que impediu o plantio da vinha na zona da Herdade dos Perdigões onde se haviam encontrado fortes indícios de uma importante ocupação pré-histórica. Em boa hora a Finagra, proprietária da Herdade do Esporão que havia adquirido aquela propriedade, se entusiasmou com a complementaridade cultural que a exploração sistemática dos Perdigões podia aportar ao seu negócio de eneoturismo.
Anualmente, com o apoio do Esporão, a ERA Arqueologia promove o Dia Aberto dos Perdigões durante o qual, entre outras actividades, os arqueólogos, ao mesmo tempo que trabalham no terreno recebem os visitantes, explicando o enquadramento e o desenvolvimento das investigações, e o António Carlos Valera proferiu uma palestra sobre o Complexo Arqueológico dos Perdigões.
Os Perdigões, que ocupam cerca de catorze hectares situam-se numa larga planície com uma ligeira elevação, como se de um anfiteatro se tratasse, aberto para ocidente, e que permite uma alargada e profunda visão, tendo Monsaraz como recorte mais significativo no horizonte, vem revelando ocupações desde o Neolítico final (3.500 a.c.) até ao Calcolítico (2.000 a.c.), e depois abandonado sem que até agora se encontrem explicações para esse facto. Em toda a área ocupada, está identificada a existência de várias linhas de fossos circulares e quatro entradas orientadas pelos pontos do nascer e do por do Sol nos Solstícios de Verão e de Inverno. Se tomarmos os Perdigões como um marco, e observarmos a localização dos mais próximos monumentos megalíticos, todos eles se situam a leste num enquadramento de cariz astronómico.
Uma curta visita às escavações é no entanto suficiente para compreender a imensidão do desafio científico multidisciplinar, já que desde 1998 só um por cento do território foi explorado, estando publicada pela ERA parte da interpretação do mundo dos seus habitantes e construtores, e disponíveis para observação três centenas dos materiais mais significativos num Museu situado na Torre do Núcleo Histórico do Esporão. 
 








E, para saber mais sobre a actividade das campanhas nos Perdigões está disponível muita informação no endereço

 

http://perdigoes2011.blogspot.pt/search?updated-max=2014-07-13T15:13:00%2B01:00&max-results=50&start=44&by-date=false


O Dia Aberto dos Perdigões, é um momento que não pode perder-se quando o tempo já é curto, e é também um dia em que o Alentejo mostra a potencialidade natural de atracção para alguns dos seus horizontes mais desconhecidos, e no presente revela-se porque foi o território que mais cresceu nas vertentes turística e cultural.

 
 







 
 Duas imagens da Herdade do Esporão, do lago e da adega.