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segunda-feira, agosto 15, 2016

Dia 15 de Agosto dia de Festa




Diálogos com o ruído

Os segredos do ruído desbravam-se
pelos caminhos do inconsciente,
enquanto nas folhas dos livros de horas
o sentimos vibrar como uma película de gelatina.
Mas o ruído é sagaz, defende-se,
usando sempre um segredo;
o do tempo que vai durar,
com o poder que possui de decidir,
enquanto se faz sentir.
Sim, sentir e não, ouvir!
O ruído, pode até parecer um ser anónimo,
mas enche os álbuns dos coleccionadores de selos,
ávidos de encontrar uma onda rara.
O ruído, vive na última página do silêncio,
de uma biblioteca sobre flores secas.
O ruído, descansa no mundo profundo das bactérias,
oferecendo a cada uma um paladar descolorido.
Afinal, o ruído não destapa sentimentos,
pois esconde-se atrás das frequências múltiplas,
e nos diálogos com ele intrometem-se sempre,
as vozes misteriosas e agudas de um Universo,
que de negro se tornou Verdejante.

Tavira, 25 de Abril de 2016

quinta-feira, novembro 14, 2013

A intimidade com as objectivas


A Fotografia não fala (forçosamente) daquilo que não é mais, mas apenas e com certeza daquilo que foi
Roland Barthes
 
 


 
 
Um moínho de água, que atendendo ao volume do caudal, trabalhava o ano inteiro desde que para isso houvesse corrente suficiente, integrado num belíssimo conjunto edificado que albergava uma família que para além da moagem também agricultava. Um fotografia, que registou um ponto de partida para decretar uma discussão sobre arquitectura "popular" Portuguesa.

Anos 80, Ribeira do Chança, Vila Verde de Ficalho
 
 

sábado, junho 01, 2013

Imagens de rua


Arqueologia comercial, em ambientes rurais.
 
 

terça-feira, abril 23, 2013

Moínhos do Guadiana

Ontem, numa fugaz espreitadela ao Guadiana, encontrei passados dez dias, uma imagem didícil de compreender se comparada com as do passado dia 12, aqui então publicadas. Ontem, dia da Terra, que não teria vida sem água, a visão de um rio agora "vazio", provoca-me a angústia do "desperdício" dos biliões de litros de água que não couberam em nenhuma albufeira e foram parar pura e simplesmente ao mar, sem que as terras aráveis e os animais que vivem nos pastos circundantes dela venham a aproveitar nos períodos tórridos do próximo Verão.
Resta-nos agora, a beleza do conjunto monumental dos "Três Moínhos de Mértola" e do seu açude transversal ao Rio. 
 
 

sexta-feira, abril 12, 2013

Moínhos do Guadiana




Todos os textos com referências descritivas sobre a morfologia dos moínhos do Guadiana, consagram-nos como moínhos de submersão, evidenciando a sua capacidade de resistência às alterações mais significativas no caudal do rio nos meses de maior pluviosidade. Nestes dois últimos meses com a chuva muito intensa, as barragens do Alqueva e do Pedrogão atingiram quase a cota máxima nas suas albufeiras, e têm nas últimas semanas procedido a descargas permanentes que aumentaram decisivamente o caudal do Guadiana, reflectindo-se no alargamento do seu curso ou no aumento do nível das águas nas zonas com gargantas mais estreitas. Na impossibilidade prática de poder ter ido revisitar os moínhos “de Serpa” para verificar a dimensão da sua situação de submersão, eis duas imagens de ontem dos três moínhos a montante de Mértola que sempre me habituei a ver de longe significativamente descobertos quando atravessava a ponte de Mértola. Pelos sinais ainda bem visíveis na margem direita, a cota do rio terá já descido substancialmente nos últimos dias, pelo que antes disso todos os três moínhos terão estado integralmente cobertos de água.


 

quinta-feira, janeiro 03, 2013

A intimidade com as objectivas



O reaproveitamento das matérias primas "desperdiçadas" pelo Homem é uma linguagem universal para gente inteligente, não é sequer um pós-modernismo, pois embora estejamos cercados de desperdício nas mais variadas formas e isso é para além de uma questão cultural um problema socio-económico, a superfície plana das mós que já não podiam mais ajudar a moer os grãos, são visíveis e palmilháveis em muitos acessos, desde o Castel dell’Ovo em Napoli até aos portos dos Moínhos do Guadiana, e fazem agora parte do património da humanidade, enquanto existirem como bens de acesso público.





 

terça-feira, outubro 16, 2012

A intimidade com as objectivas

Da nossa memória colectiva, fazem parte as tabuletas - ATENÇÃO AOS COMBOIOS - PARE ESCUTE E OLHE!
Perdida no meio da margem direita do Guadiana, esta velha tabuleta, um misto de ferro e de betão, provoca um desafio à compreensão da sua utilidade, no acesso que conduzia ao chamado Moínho do Fagundes, através de um caminho muito pedregoso que deve ter agredído muitas roda de madeira, muitos aros de ferro, muitos eixos, muitas ferraduras, muitas botas cardadas, mas acredito que protegeu o atravessamento seguro de milhares de quilos de farinha por entre a passagem de meia dúzia de comboios por dia, na linha que ligou Beja a Moura.
 
 
 
 

domingo, outubro 14, 2012

A intimidade com as objectivas


Cada vez é menos provável fazer-se diferente. Desde o seu invento, fizeram-se muitos milhares de milhões de aparelhos fotográficos e disparos progredindo para o infinito. Embora mutável, a natureza está cada vez menos desconhecida e mais acessível, as imagens estão cada vez mais universais, resta-nos balançar e ensaiar a tradução escrita do melhor dos estímulos luminosos que instante a instante nos afrontam.
 
 

sábado, outubro 13, 2012

A intimidade com as objectivas

A "minha" Criadora do Belo, elegeu esta imagem como a melhor da primeira série feita "no" Moínho do Fagundes, e por isso, aqui e agora, ela fica a fazer parte, por enquanto apenas do património da minha Lente Verde.

 

quarta-feira, outubro 03, 2012

A intimidade com as objectivas


Enquanto a música tem tempo para ir entrando no ouvido e agradar a pouco e pouco ao seu ouvinte, os melómanos mais exigentes da fotografia ou gostam ou não dos porquês, pois no momento em que se pega por uma ponta já não se pode virar a sombra para se apreciarem todas as suas faces.

 




 



domingo, setembro 23, 2012

A intimidade com as objectivas

O Outono


Pelo hermético calendário dos Homens, acabou ontem o Verão no Hemisfério Norte.
É verdade que o dia amanheceu um pouco cinzento, e até posso conceder que a minha lente já se confrontou no Guadiana com as “a luz do Outono”.



Mas, em contraponto na “minha praia”, ninguém tal diria; passadas as primeiras nuvens da madrugada, foi tão difícil encontrar um plano de mar liberto de "veraneantes",
 

 
pois que, na beira das pequenas vagas de espuma da maré a vazar, a liberdade do absoluto imperava sobre os discursos do poder!
 
 
 

quinta-feira, setembro 20, 2012

quarta-feira, setembro 19, 2012

A intimidade com as objectivas



No caminho para o(s) Moínho(s) do Fagundes, destacava-se uma círcunferência estranha ao meio ambiente, que não “devia” continuar por lá,…; após algum esforço, emergiu uma argola de ferro, que talvez tenha feito parte de um rolamento dos tempos desconhecidos ao aço inoxidável, e alguns micron de óxido de ferro deixarão de chegar com as chuvas até ao Rio.