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segunda-feira, março 09, 2015

NUDITÉS insolites


I

Un tonneau d'écorce pour tout vêtement

le sculpteur surveilla mon indécence avec grand soin

De ma mère je tiens les jambes courtaudes

et je ne suis pas peu fier de mon appareil génital

hérité d'un père prince et guerrier

Mes yeux clignent avec noblesse.




Rép.Dém. du Congo Mangebetu XX siécle
Bois, écorce H 54,6 cm. Inv. 1026-469

Il

Peintures mugissantes à l'assaut d'une chair repliée

sous le déferlement du décor curviligne

elle guette le repli du Temps

Bave durable des siècles

Tourbillons de fumées hallucinogènes entrevus par des yeux mi-clos

sur la toile effrayante d'un autre ciel...
 
 


Venezuela. Culture de Trujillo. I" millénaire av. J.-C.
Céramique pinture bichrome. H. 21 cm. Inv. 530-7.


III

Portant mes mains

à des oreilles attentives à vos moindres vœux

ma force de sorcier n'émane pas d'un crâne jadis bourré de tabac

ni de mes larges pieds

ou encore des disques ornant mes chevilles

mais de mes yeux exorbités et de mon gros pénis

enfant de Satan.




Rép. Dém. du Congo. Luluwa. XIXe-XXe siècle. Bois,
métal, perles. H. 12,8 cm. Inv. 1026-181.


IV

Chantez ma douceur

déesses des blanches mers palpant le marbre de mes seins

Mon épaule solide et mon bassin accueillant

scellent un pacte où l'amour tient peu de place bien peu de place

L'idée du Divin y est reine dans sa pureté proverbiale

Un silence terrible.
 


Grèce. Art cycladique. 3000-2800 av. J.-C.
Marbre. H. 18,5 cm. Inv. 202-4.

 

V

Combien de générations

combien de caresses de la main

pour polir ainsi ces yeux

ce nez

cette bouche

ces mains d'ivoire ?

Quand les braises du crépuscule baissent une paupière rouge

sur un destin de latérite : voyez !

La sueur magique du roi

a teinté l'esprit de la femme.

 
 
Rép. Dém. du Congo. Kongo. XIXe siècle.
Ivoire. H. 22 cm. Inv. 1021-27.

 

 

domingo, março 08, 2015

NUDITÉS insolites

 
 
O Musée barbier-mueller é digno de agradecimentos pela publicação, sem reserva para divulgação por terceiros, de um conjunto de imagens de uma bela exposição ,com base nas suas colecções, acompanhada de textos de Marcelin Mboko
 
 
 

NUDITÉS
innocentes
 
Marcelin Mboko                                                                                                                                  À Laurence Mattet
 
Femme ! le reflet des siècles jouant sur ta peau
Raconte l'Afrique. Raconte
le feulement des amours animales dans la savane,
les cris des oiseaux et les froissements du soir,
le voyageur chargé de légendes qui s'arrête dans un village
Et conte, conte, conte à en perdre la mémoire...
 
Femme ! tu es la seule à savoir écouter
le récit du baladin, le chant du soleil au zénith et
le rugissement des fauves semblable aux cris des guerriers.
Sur ta peau s'inscrit la succession des désirs
inassouvis, réfrénés,
devenus presque honteux à force de frénésie.
 
Que chantonnes-tu, griot ?
Quelle main retorse anime ton balafon ?
Quel est ce regard démentant la pureté de ta main
sur l'instrument magique dont le gémissement affole les lions
et fait rôder d'antiques rumeurs autour des cases à fétiches ?
Femme ! L'Afrique n'a que sa nudité pour se défendre...
 
Tu nous l'a montré quand l'Homme blanc, vertigineux,
est arrivé sur ses bateaux armés de canons et de verbes.
Naïfs, nous tremblions de joie
et non de peur le voyant si semblable
à nous. Si nu sous la toile kaki, sous la casquette blanche,
sous l'œil des Dieux étonnés.
Etonnés, mais sachant bien que nul ne les chasserait jamais.
 
Chants du crépuscule, enlacez le griot. Et toi griot entame
ton plus beau chant d'amour pour l'ombre qui nous estompe.
La peau de ta femme devrait être le seul instrument
sur lequel glisse ta main, troupeau de doigts noirs, doux.
Bientôt le vent du nord se lèvera à grand fracas,
et l'épouse la plus douce pourra planter ses griffes dans la nuit.

sábado, março 07, 2015

Un voyage à Genève

Não há critérios formatados para definição de Viagem, e a sua importância é cada um que a atribui, os seus relatos ficam mais ou menos perto da realidade ou da ilusão, conforme a cor da caneta e a caligrafia usada para imprimir histórias e imagens guardadas enquanto houver memória para transpor as lembranças para as páginas dos “cadernos de viagem”. E podemos tentar começar a contar a vivência das histórias pelo fim, ou pelo princípio, tanto faz, já que a Viagem é uma unidade orgânica, em que quando a realizamos ficamos dependentes do que nos “deixam” mesmo poder ver sobre o que existe afinal na paisagem, e só mais tarde acabamos por imaginar os sons do que não estava por lá audível.
Quem viver, já tenha feito uma Viagem, faz outra, e ainda tem sonhos, esperanças ou ilusões criativas em Viagens transpostas para a irrealidade no futuro, resume com alguns numerais os minutos e as horas vividas entre ambientes inseguros e ventos de viés desconhecidos, e a ilusão de que não há descontinuidade nos espaços percorridos provoca sentimentos desencontrados pelas etapas percorridas desde que primeiro se imaginam os enquadramentos dos lugares a visitar, depois se constrói um plano logístico, para se concluir que é preciso saber devorar cada bolinha de ar que nos contacta com a boca, com as narinas e com os olhos.
Se no Universo não há práticamente duas “coisas” iguais, mas um átomo de oxigénio deve ser igual a outro átomo de oxigénio, em duas viagens anuais para um destino comum não é possível criar ambientes que sequer se aproximem; o clima, as renovações nos ambientes humanos urbanos, edificados e expositivos são a grande mais valia para que a mente também se renove e o espírito aberto (onde quer que ele se esconda) se entusiasme, com os desafios para preencher os espaços no desconhecimento, e no cuidado com o arquivo celular de tudo o que não ficou para contar mas para manipular. Esta viagem, entre a “obrigação” e a devoção, marcada de novo pelos choques de culturas que desnudam as boas e as más diferenças entre nós e os outros, transforma-se numa história ficcionada, ao contrário de outras mais velhas e bem imaginadas, não vai soluçar para além das lágrimas escondidas dos duplos abraços da chegada, dos encontros e da partida, mas rir com as cócegas nas pontas dos dedos.
Em tempos em que há “gente” a determinar que a cultura material herdada dos antepassados deve ser vigiada ideológicamente, e caso se revele atentatória dos princípios definidos por alguns Profectas(?) deve ser esfumada, é assintomático olhar critícamente para os critérios que nos ajudaram a crescer e determinaram o nascimento de muitos dos espaços onde nos sentimos bem, ou que mesmo ajudamos a edificar, seja de uma forma intimista no egoísmo do nosso próprio território individual, seja nos espaços comuns das comunidades em que estamos vivendo ou temporáriamente nos inserimos, e, é metódico que se use a interrogação para tentar atingir o direito em atribuir um significado real ao conceito de Museu que nos atrai, para que serve e quem serve ele afinal.
Agora que, com letra grande, um Museu deixou de ser conceptualmente um mono, e é cada vez mais um espaço para se aprender a viver, onde as virtualidades do conhecimento se esgotam a cada novo cenário com que as colecções se renovam, e ainda até se publicam, competindo o papel com todos os outros modernos suportes legítimos, porque permitidos, a actualidade criou em muitos Museus uma nova entidade curadora, os seus Amigos, que não apenas participam em suporte material e financeiro, mas satisfazem a sua divulgação de forma aberta e livre, e os rituais descritivos chamam-nos para sermos actores da mudança na mentalidade da intervenção museológica directa na sociedade.
Da Viagem faz sempre parte a fruição dos sabores das urbes e dos ambientes museológicos modernos quer se exprimam, entre paredes de antigos suportes arquitectónicos sobreviventes dos cataclismos naturais ou humanos e que hoje não servem apenas para preservar a espécie mas também para minorar o desperdício, ou nos interiores de belas e modernas arquitecturas que acolhem acervos doados pela colectividade, ou recolhidos pelo saber e pela perseverança de um coleccionador. Desta vez, no que respeita às colecções privadas, encontrámos uma exposição com um catálogo todo “aberto” apresentando parte das esculturas expostas, no caso vinte, fotografadas sob a orientação do Poeta Marcelin Mboko acompanhando cada uma com um texto interpretativo da sua autoria. O sentimento contraditório sobre o desmerecimento de uma peça arqueológica “mudar” de lugar, veio mais uma vez ao de cima, já que embora existam diferentes conjuntos homogéneos de artefactos idiotécnicos geográficamente “situados” com precisão em diversos áreas na Europa, não é possível desligar cada uma dessas culturas de uma competência estética mais vasta, e sentiríamos orgulho se daquela colecção constasse um dos ídolos esquemáticos em calcário do “Calcolítico Português”. 



 

Mas também a própria Cidade se converteu num Museu de ar livre, convidando anualmente escultores para realizarem obras que durante doze meses se espalham e preenchem um vasto conjunto de locais, e que de tantos, tornaram a visita global incomportável no nosso tempo disponível.




 

Cada vez temos mais a noção dos avanços na estruturação das Cidades modernas que racionalizam a vivência dos seus habitantes e dos seus visitantes, em que até a publicidade estática é parte fundamental dos contributos para a qualidade de vida, a cultura e a economia.

 
 
 
 

Do encanto dos ambientes gelados da beira do lago, por sorte foi possível conjugar o calendário e dar um salto de teleférico até ao Salève, ensaiando um primeiro contacto com os ”fotogramas” que enquadram os contrastes entre o branco puro dos cristais de água, o arvoredo maioritário de folha caduca, e o azul do firmamento, restando a certeza de que de tão breve encontro resultou a vontade de voltar, e também que do conjunto das imagens é difícil eleger umas e ignorar as restantes.

 



 

Vira-se a última página desta viagem com uma confessada frustração perante uma orientadora e apelativa tabuleta numa rua deserta, que afinal também não tinha correspondência ao longo de todas as praças, ruas e avenidas que percorremos.
 
 
De facto, na língua local, não as encontrámos!
 
 
 

sexta-feira, março 06, 2015

A intimidade com as objectivas

A cidade vista da através de opostos.


 
 
 
 
 

 

A intimidade com as objectivas

Implantes?

 

quinta-feira, março 05, 2015

A intimidade com as objectivas

Um Museu convencional não mostra apenas as suas colecções, mas acolhe e promove propostas de arquitectura de interiores que também formam o saber das novas gerações, e desafiam o nosso olhar crítico.

 
 
 
 
 

 

quarta-feira, março 04, 2015

A intimidade com as objectivas


A chuva de Inverno
silenciosa sobre o musgo
enche-me de saudade.


Yosa Buson, Primeiro Amor e outros poemas, cerca de 1757


 
 
 
 


terça-feira, março 03, 2015

segunda-feira, março 02, 2015

Luar gelado
as pedrinhas
estalam debaixo das botas.


Yosa Buson, Primeiro Amor e outros poemas, cerca de 1757



 

domingo, março 01, 2015

MARÇO


Riscos 3D


III - Da série Paestum

sexta-feira, fevereiro 27, 2015

Guadiana em Alcoutim

Baixo Alentejo, Inverno, pirogas verdes de pousio.

 

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

A intimidade com as objectivas

 
Guadiana, Alcoutim, porto de abrigo
 

quarta-feira, fevereiro 25, 2015

Dia 25, de Dia de Festa

As ilhas

Navegámos para Oriente –
A longa costa
Era de um verde espesso e sonolento

Um verde imóvel sob o nenhum vento
Até à branca praia cor de rosas
Tocada pelas águas transparentes

Então surgiram as ilhas luminosas
De um azul tão puro e tão violento
Que excedia o fulgor do firmamento
Navegado por garças milagrosas

E extinguiram-se em nós memória e tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen, 1977





 

terça-feira, fevereiro 24, 2015

A intimidade com as objectivas

Quando é Maria Antonieta que aponta o caminho para as sopas com peixe do Rio,

 

segunda-feira, fevereiro 23, 2015

Lago Leman, 1973/2015

Refazer as premissas dos amores da Família, rememoriar as paisagens de 1973 para repetir os abraços no regresso do suspiro da saudade, sobrevoando castelos de nuvens que se beijam em desenhos milimétricos riscando em milhares de cadernos com lápis azuis e brancos, e rasgando com a trotinete o ar da beira do lago, fugindo do ultimo olhar humedecido pelas pontas dos dedos aquecidas pelos trocadilhos com os queijos de pão seco.
 
 

domingo, fevereiro 22, 2015

Artes de pesca no Guadiana

Desde há muitos milénios que se repetem afinal, rotinas nas artes de pesca no Guadiana.
Pedras alongadas descansam hoje nos cais para serem amanhã atiradas ao rio atadas a uma corda como servirem como pesos nas redes.



Nos arredores de Serpa, encontraram-se no "Cerro dos Castelos de S.Brás" pesos de rede da época Calcolítica elaborados a partir de seixos rolados achatados e com a fricção do uso das ataduras conferindo-lhes um perfil em oito.


 

sábado, fevereiro 21, 2015

sexta-feira, fevereiro 20, 2015

A intimidade com as objectivas

Alcoutim, manhã de Inverno, margem direita do Guadiana, 23º, San Lucar oposta.


 

quinta-feira, fevereiro 19, 2015

A intimidade com as objectivas

A Imagem simbólica de fora da Estação de Verão.

 

quarta-feira, fevereiro 18, 2015

A intimidade com as objectivas

O simbolismo na protecção da Portugalidade.

 

terça-feira, fevereiro 17, 2015

A intimidade com as objectivas

O Sal, brilhará de novo no próximo Verão.



segunda-feira, fevereiro 16, 2015

A intimidade com as objectivas

Saudade uma palavra não vertível para Italiano, mas demonstrável numa imagem.


 

domingo, fevereiro 15, 2015

sábado, fevereiro 14, 2015

Museu Arpad Szenez - Vieira da Silva

 
 
 
Andy Warhol 
 
 


sexta-feira, fevereiro 13, 2015

LISBOA, Museu da Electricidade

 
 
 
 
 

 
 
 
 
 

 
 
 
 


quinta-feira, fevereiro 12, 2015

Museu Arpad Szenez - Vieira da Silva

Colecção Sonnabend
 
 
 

Jim Dine 
 
 
 
 
 

Arman
 
 
 
 
 

 John Chamberlain

quarta-feira, fevereiro 11, 2015

Há Museus e Museus


 
 
 
 

 
 
 
 
Mantenho com um Amigo próximo uma divergência, não sei se insanável, sobre a apreciação que cada um de nós faz sobre o “direito” à utilização da palavra ARTE no seu conceito mais metafísico, e ontem a questão regressou à minha reflexão perante a primeira aproximação presencial a um conjunto de várias obras da autoria de Andy Warhol integradas num conjunto de obras da colecção Sonnabend que Ileana Sonnabend expôs na sua Galeria de Paris, de 1962 a 1967. Perante os esquiços de uma das obras de arte mais mediáticas no Mundo, renovei a minha convicção sobre a capacidade inata que os grandes artistas revelam nos seus desenhos de estudo, e que ela é o meu primeiro grau de avaliação na aceitação para a sua integração na Arte, com letra grande!