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quinta-feira, outubro 10, 2013

No "tempo" dos "cacos"





Nos últimos trinta anos mantive uma relação íntima com a superfície de cerca de um hectare integrado numa folha de sequeiro intensivo nos arredores de Serpa. Desta relação, algumas vezes partilhada com a Maria, mas na maior parte “extraconjugal”, nasceram incontáveis frutos. De repente, neste fim de Setembro de 2013, quando esperávamos por mais um encontro a três, e fomos lá ver se o estado das culturas faria com que isso fosse possível para breve, deparámo-nos com um horizonte que já não era como dantes, e aquela grande companheira de desabafos, confidente de segredos, curadora do stress da vida citadina, parecia estar prestes a romper com a nossa relação, e a guardar a sete chaves os inúmeros segredos que sempre procurámos decifrar através dos sinais na sua epiderme.

Sabemos que um dia isto poderá acontecer, ou por causa de uma mudança nos seus hábitos de vida, ou quando os nossos corpos perderem a ligeireza para caminhar sobre torrões e não se conseguirem já dobrar para manter o nariz no chão, durante pelo menos um hora seguida.

Pois a razão daquele acontecimento, é aquilo de que pouco se fala, e não se valoriza, porque a chamada Comunicação Social não gosta do principal impulsionador final, responsável pela extensa malha aquífera entubada desde Alqueva que se vai espalhando pela Alentejo e já chega às faldas da Serra de Serpa. As searas de trigo, de cevada, de grãos e de girassol, vão a pouco e pouco deixar de habitar por ali, expulsas por olivais de exploração intensiva ou pelos milhos genéticamente modificados.
 
 
  
 
Ainda lá voltámos ontem àqueles espraiados campos agrícolas, para documentar a explicação para aquele considerado “súbito e triste abandono”, mas as imagens já não correspondiam às de quinze dias atrás pois o milho já tinha sido ceifado na metade da folha, e na outra metade, aquela onde os vestígios arqueológicos são mais evidentes, a grade de discos já lá tinha passado e produzido os brutais e habituais estragos sobre os materiais arqueológicos atingidos pelas lâminas aguçadas!...
Afinal, talvez não seja portanto a última vez que passamos os olhos por este campo lavrado ou acabado de semear, que cobre um dos polos da ocupação pré-histórica de S.Brás, e que, propositadamente ou em passagem para o Guadiana em próximas acções de levantamento dos seus Moínhos reencontremos um solo em condições de permitir que as histórias que a superfície conta não possa deixar de ainda ser tentada perceber. As centenas de horas que ali passámos estão diminutamente documentadas com imagens, pois o transporte das máquinas fotográficas não era própriamente amigável e compatível com apenas duas mãos que tinham de segurar a pequena espátula, os sacos de plástico que iam recolhendo os “cacos”, e tantas vezes também o chapéu de chuva, e as mochilas ligeiras são puras modernices.
Aceitaremos com naturalidade quando se concretizar algum dos “contratempos” que nos venham a impedir de no intervalo entre as culturas ir até S.Brás3 para respirar ar puro, sorver os horizontes que nos namoraram dias a fio, experimentar a emoção do encontro com algum “novo caco”, mas também julgamos que está a começar a chegar a hora de se “arrumarem os materiais” para que alguns dos sacrifícios que ali fizemos na entrega à prospecção arqueológica de superfície tenham o devido retorno para quem continua a teimar em aprofundar a compreensão sobre o desenvolvimento das culturas pré-históricas, sendo importante explicar que todo o trabalho de campo ocupou muitíssimo menos tempo do que as tarefas que, era e é, necessário desenvolver depois, nas lavagens, limpeza, desenho, marcação, fotografia,  arquivos e escritos.
 
 




Fazer um balanço de trinta anos de cacos em S.Brás3, é fácil do ponto de vista da descrição material, com um exemplo da minha própria rotina anual, e até seríamos capazes de ir indicar no terreno o ponto aproximado de cada um dos mais importantes “encontros”, mas já é impossível aproximar das letras muitas das emoções associadas às descobertas de maior significado arqueológico.

 
 







A morfologia do terreno, foi-se alterando ao longo dos anos, com a acção recorrente da maquinaria agrícola cada vez mais potente, e aquilo a que chamaria de plataforma inicial, onde se terá situado o núcleo central do povoado, que para sul tinha um pequeno e muito bem marcado desnível, foi-se transformando num único plano ligeiramente inclinado em três direcções. Para além das transformações morfológicas que decorreram da actividade agrícola, dois acontecimentos merecem ser referidos; o primeiro, na zona em tempos mais marcada com a cota mais baixa, após as enxarruadas a seguir à ceifa foi o aparecimento expontâneo de um buraco circular com cerca de três metros de diâmetro e um de profundidade, que talvez pudesse indiciar o local de uma fossa ou de algum poço de acesso a algum filão cuprífero, numa área da folha em que os vestígios arqueológicos pré-históricos se misturavam com alguns materiais romanos, e o segundo foi o atravessamento de um linha de alta tensão que hoje parece ter influência sobre a actividade agrícola de regadio, e que na altura da implantação das sapatas dos postes provocou uma nítida intrusão em alguns planos arqueológicos. O progressivo nivelamento do terreno protegeu alguns níveis arqueológicos, mas noutros aproximou da superfície os materiais mais densos que presumidamente viveram no fundo das cabanas, como foi o caso das mós dormentes que foram sendo retiradas para locais incertos pelos trabalhos agrícolas, desaparecendo da superfície porque afectavam as lâminas das charruas, e que dado o seu peso não era possível para nós fazer o seu transporte e apenas fomos arrastando as mais leves para junto dos postes de alta tensão, de onde a pouco e pouco também se esfumaram. 

Neste curto balanço, também nos lembramos de alguns dos sucessivos proprietários e de alguns dos trabalhadores rurais mais estáveis, com quem travámos muitas conversas não apenas sobre a sua actividade profissional e de onde extraímos muito ensinamento sobre formas de vida e de sobrevivência, mas também sensibilizando-os para o interesse no estudo da pré-história local, e procurando a sua atenção para a salvaguarda dos seus sinais, e ainda os encontros e conversas curtas com os pastores dos rebanhos de ovelhas que produzem o leite apaladado que é responsável pelo melhor dos nossos queijos.
 
 




De ontem, aqui ficam as imagens de alguns objectos líticos que estavam por lá nos sítios por onde passámos, e que tivemos a sorte de não os deixar de ver, e sobre S.Brás3, tão breve quanto possível, publicaremos, imagens e textos sobre artefactos líticos, cerâmica decorada e “pesos de tear”, correspondendo aos três vectores principais dos achados de superfície.











E ficam ainda imagens de Serpa à roda da tasca do Engrola, a propósito do almoço, onde recuperámos os sais necessários para chegar a Lisboa, com a ajuda de um feijão branco com entrecosto e cogumelos selvagens, uma cerveja e um arroz doce.

 
 





 

 
 
 

 


quarta-feira, outubro 09, 2013

Quando agora, os protagonistas são o nosso Futuro


Numa hora em que já podemos começar a tentar ultrapassar os momentos de letargia, e em que racionalizar o estado da alma conduz-nos para uma etapa nova em que as recordações se devem partilhar a tempo, pois o Futuro já está nas mãos dos novos protagonistas que vamos deixar no nosso lugar, hoje é dia para emoldurar retratos de passeios que só podiam ter acontecido se antes de nós não tivesse existido quem ficava em casa a preparar a cachola frita acompanhada por batatas fritas de tomatada, acompanhados pelos “retrato” de que a imaginação da inocência de um Bisneto é a melhor criadora, e ainda pelas letras do diálogo entre a Bisneta e a Estrelinha com quem ela diz já ter falado, mas que não conta do que conversaram porque isso é um segredo entre Elas.

 

terça-feira, outubro 08, 2013

A intimidade com as objectivas


O bom tempo, continua invadindo a praia em tons de azul.
 
 

segunda-feira, outubro 07, 2013

Um dia de praia no Outono






Na estratégia habitual de criar títulos sonantes para tentar vender papel, os papagaios anunciam um dia destes que Portugal vai ser um dos Países mais atingido pelas alterações climáticas.
Não julgo que as tais “alterações climáticas” tenham a ver com o tempo que se tem sentido nos últimos dias no Algarve, e que parece ir prolongar-se por mais alguns dias, pois bem nos lembramos de quando as nossas férias se estendiam pelo início de Outubro e os dias magníficos que então gozámos.






 
 
Anteontem, céu limpo, Sol quente (29º), água morna (23º) e de volta da praia o carro escaldando (40º), mas apesar deste enquadramento, foi o banho mais solitário do ano, pois as companhias da preguiça só começaram a povoar o areal bem depois das 11, e a praia hoje foi bem privada até à hora própria de se fugir aos UV, o que me trouxe a rara possibilidade de deixar a água depois do banho e poder estender-me repousadamente na toalha e secar integralmente ao sol sem ter de me enxaguar e vestir à pressa.

À beira mar, o que restava de um peixe lua, depois de ter servido de repasto às gaivotas durante a madrugada, agitaria a curiosidade de alguns passantes.  



domingo, outubro 06, 2013

O Passado e o Presente





Despojada de religiosidade, a filosofia sobre o sentido da vida, é prisioneira da dúvida legítima sobre o “criador” e a sua incompreensível imperfeição. Os hábitos primários de encontrar uma obra perfeita provinda do criador mais não são do que a incapacidade para perceber a origem do Universo, e a tentação de respeitosamente considerar este na sua brutal dimensão uma “Obra” notável. Quando se aborda a filosofia da vida, fazemo-la sobre uma perspectiva metafísica subordinada à equação que a nossa capacidade é incapaz de deduzir, embora quando se chega à conclusão de que afinal, estamos perante um complexo sistema equacional preenchido por variáveis estranhas e decifráveis apenas em sonhos, já não é possível voltar atrás, e começam a percorrer-se trilhos em que nos encontramos sósinhos abandonados à dureza cortante dos ventos do deserto. Depois, os exercícios mentais conduzem-nos à leitura retroactiva da lógica de todas as incoerências do passado, e abrimos as páginas em branco de onde o tempo já apagou as memórias mais absurdas, restando os caracteres das cartilhas mater e as notas de rodapé escritas sobre partes iguais de ar rarefeito, já amarfanhadas pelo peso das bibliotecas que foram entalando todos os intervalos deixados vazios, depois de todas as partilhas que as memórias herdadas obrigaram a destruir.
 
 

 
Todas as imagens são irrepetíveis, mas algumas ultrapassam mesmo os domínios da realidade e confrontam-nos com a crueza da velocidade da rotação da Terra que é capaz de refazer percursos e viajar até 1975 focando a nossa atenção na vida do Moínho do Saraiva à beira da Ribeira do Chança, que ainda faz a fronteira entre Portugal e Espanha, desde Vila Verde de Ficalho até ao Pomarão.
 
 

 

 

sexta-feira, outubro 04, 2013

A intimidade com as objectivas


Para as gentes mais simples e pacatas das pequenas Cidades, onde ainda há vida urbana, o que "deveria" ser INTIMISSI, afinal fica na rua ao Sol, à vista de todos os olhares, numa até equilibrada composição cromática.

quinta-feira, outubro 03, 2013

quarta-feira, outubro 02, 2013

terça-feira, outubro 01, 2013

segunda-feira, setembro 30, 2013

domingo, setembro 29, 2013

A intimidade com as objectivas


A cal harmonioza, acolhe a criação das cristas aguçadas ao sabor da criação popular, com o melhor do bom gosto cromático, e que defendem agora os muros da Cidade dos olhares digitais de modernos invasores, logo por dentro das velhas muralhas.
 
 
 

sábado, setembro 28, 2013

sexta-feira, setembro 27, 2013

A intimidade com as objectivas

Ruas de Ficalho, 1981

 

quinta-feira, setembro 26, 2013

A intimidade com as objectivas

Ruas de Ficalho, 1981

 

quarta-feira, setembro 25, 2013

A intimidade com as objectivas

Ruas de Ficalho, 1981

 

terça-feira, setembro 24, 2013

A intimidade com as objectivas

Ruas de Ficalho, 1981

 

segunda-feira, setembro 23, 2013

A intimidade com as objectivas

Ruas de Ficalho, 1981

 

domingo, setembro 22, 2013

A intimidade com as objectivas

Ruas de Ficalho, 1981






 

sábado, setembro 21, 2013

Memórias de Setembros


Teimar em voltar às memórias de Setembro é uma forma de rejeitar a lei da velocidade com que se esconde a luz sob o pano negro no fim do universo, e até pode confundir registos de dois séculos, e neste Setembro de datas tão fortes para nós, vamos reimaginar que as férias dos anos 70 e 80 se voltaram a viver em Família no meio do calor afectuoso das paredes de cal de algumas Aldeias do Alentejo.
Mas, só uma parte das funções cognitivas são representáveis pela polinização que as palavras provocam sobre imagens que não se conseguiram conservar fiéis aos impulsos iniciais, imagens que foram ficando envelhecidas pela poeira que mastigou as emulsões, com as rugas provocadas pela luz curiosa dos fundos dos armários, e que recuperadas tal como estão vão esperguiçar-se sobre as páginas riscadas com branco leve, ilustrando os rectângulos da sebenta digital, e iniciando já o primeiro número a partir de Vila Verde de Ficalho, a actriz principal deste roteiro.












 


quarta-feira, setembro 18, 2013

A intimidade com as objectivas

As sombras, são uma das melhores formas de intervenção da natureza, para nos impressionar com a beleza dos desenhos amparados pela ausência da cor.

 

terça-feira, setembro 17, 2013

segunda-feira, setembro 16, 2013

sábado, setembro 14, 2013

A intimidade com as objectivas


Os mistérios da Fé espalhados pelas ruas, envolvem-nos com as lembranças daqueles que já não as podem calcorrear.

 

sexta-feira, setembro 13, 2013

A intimidade com as objectivas


Pelas ruas de Ficalho, 1981.
Memórias de gentes e de casas com alma.

 

quinta-feira, setembro 12, 2013

A intimidade com as objectivas

Pelas ruas de Ficalho, 1981.
A sua Luz continuará para sempre a ser a nossa Luz mais amada.

 

quarta-feira, setembro 11, 2013

A intimidade com as objectivas

Pelas ruas de Ficalho, 1981.
Para sempre uma parte dos nossos destinos.

 

terça-feira, setembro 10, 2013

A intimidade com as objectivas

Pelas ruas de Ficalho, 1981.
Tributos a uma Dupla Mãe, Avó e Bisavó.
Das memórias de muitas Passagens, ficam as imagens das chaminés que ajudaram a dar sentido aos ventos que espalhavam o sabor do alho fervido no azeite coberto com o pão demolhado.



 

segunda-feira, setembro 09, 2013






Hoje,
Acabamos de perder o cume do nosso Cristal,
o destino, renovou-o, e agora ele terá outras cores.

Com ele partiram muitos pedaços de muitas vidas,
e perderam-se para sempre memórias desconhecidas.
Fundiram-se, desde logo, os dois cristais mais velhos,
e agora, o cume da Pirâmide, vai acomodar-se a uma partilha,
entre dois corações destinados a serem Luz de um renovado Cristal,
até que a lei da vida o volte a transformar.





Da sua peregrinação, duas imagens separadas por muitos anos; aproveitando a oferta de duas Amigas, por sinal também Irmãs, as Manas de costas para o cocheiro mais a Menina ao colo e ainda o Lipi, hoje em dia um dos mais populares realizadores e produtores do teatro musicado.


E a emocionada lembrança, possível nesta hora , de uma passagem decisiva na vida desta Família.


A intimidade com as objectivas


Convergências para o infinito.